23 de Janeiro de 2012

REFLEXÕES DE UMA FILÓSOFA IMPOPULAR



O Significado Esotérico de
Certas Palavras e Ações na Vida Social


Helena P. Blavatsky


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Nota Editorial:

Helena P. Blavatsky tem textos
agudos e irônicos.  O mesmo estilo é
encontrado nas “Cartas dos Mahatmas”.
Esta irreverência quase Zen serve para cortar
ilusões e revelar os perigos  da hipocrisia
na busca espiritual. Ao longo dos tempos, os
ensinamentos espirituais têm sido envolvidos em
diversas formas de dogma,  transformados em
rotina,  em rituais vazios,  ou usados para fins de
poder pessoal e abuso da boa vontade alheia.

Os estudantes da filosofia esotérica devem
ser capazes de examinar-se regularmente - de
modo individual e também de modo coletivo - e
perguntar-se honesta e sinceramente: “Que
incoerências há em mim, ou em nós? Que
sementes de hipocrisia, e como eliminá-las?”

Esta capacidade de auto-observação
capacita o aprendiz a vencer os desafios da caminhada.

Traduzimos o texto a seguir do volume VIII de
“Collected Writings of H. P. Blavatsky”, T. P. H.,
Adyar, Índia (pp. 137-139). Título Original: “From
the Note Book of an Unpopular Philosopher”.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Mostrar Raiva.  Nenhum homem ou mulher “culto” jamais mostrará raiva em sociedade.  Controlar e reprimir toda mostra de desagrado é demonstração de boas maneiras, certamente, mas também uma considerável façanha em matéria de hipocrisia e dissimulação. Há um lado oculto nesta regra de boa educação, e ele é revelado em um provérbio oriental: “Não confie num rosto que nunca mostra sinais de raiva, nem num cachorro que nunca late”. O animais de sangue frio são os mais venenosos.

 Não Resistir ao Mal. Jactar-se disso é convidar todos os que são maldosos a abusar de você. Praticá-lo abertamente é levar as pessoas à tentação de vê-lo como um covarde. Não resistir ao mal que você nunca criou nem merece, evitá-lo você próprio e ajudar a outros a  afastar-se dele,  é a única alternativa correta à disposição de  quem ama a sabedoria.

“Amar o Próximo”. Quando um religioso faz uma pregação sobre este assunto, sua piedosa congregação a aceita – com uma permissão tácita para caluniar e denegrir  seus amigos e conhecidos  que estão sentados nos bancos da mesma  igreja.

Fraternidade Internacional. Quando um muçulmano e um cristão juram ter amizade recíproca e se comprometem a ser irmãos, as duas fórmulas deles diferem um pouco.   O muçulmano diz: “Tua mãe será minha mãe, meu pai teu pai, minha irmã tua criada, e tu serás meu irmão”.  Ao que o cristão responde: “Tua mãe e irmã serão minhas criadas, tua esposa será minha esposa, e minha esposa será tua querida irmã”. Amém.

Valente Como um Leão.   Este é – na aparência -- o maior elogio que se pode fazer à coragem de alguém; na realidade, é uma comparação com um animal selvagem que cheira mal. É também um reconhecimento da  superioridade da bravura do animal sobre a bravura humana, considerada como virtude.

Carneiro. [1] Um homem fraco, tolo, e simbolicamente um epíteto insultuoso, depreciativo, entre pessoas do mundo; mas um termo bastante elogioso entre religiosos, que o aplicam às “pessoas de Deus” e aos membros das suas congregações, comparando-os com carneiros sob a orientação do cordeiro.

Código de Honra. Na França - seduzir uma esposa e matar seu marido. Lá, a honra ofendida só pode ser recuperada com sangue; aqui [2], é suficiente um ferimento causado no bolso do transgressor.

O Duelo Como uma Questão de Honra. O duelo é uma instituição do cristianismo e da civilização, e nem os antigos espartanos, nem os gregos ou romanos o conheciam, já que eram apenas pagãos não-civilizados (Veja-se Schopenhauer).

Perdoar e Esquecer.  “Deveríamos perdoar livremente, mas raramente esquecer”, diz Colton. “Não buscarei vingança, e isto eu devo ao meu inimigo; mas lembrarei, e isto eu devo a mim mesmo”.  Esta é sabedoria real e prática. Ela fica entre o feroz lema “olho por olho”, da lei mosaica, e a ordem de oferecer a face esquerda ao seu inimigo, se ele golpear sua face direita. Esta última atitude não é um definido encorajamento ao pecado?

Sabedoria Prática. Na árvore do silêncio é que se colhe o fruto da paz. Se você não quer que seu inimigo conheça seu segredo, não o conte a seu amigo (ditado árabe).

Vida Civilizada. Repleta, barulhenta e cheia de força vital: assim é a sociedade moderna do ponto de vista material. Mas não há deserto mais imóvel e silencioso, vazio e lúgubre do que esta mesma sociedade para o olhar espiritual daquele que sabe ver. Sua mão direita distribui pródiga e livremente prazeres efêmeros, mas de alto custo, enquanto a mão esquerda  agarra avidamente os restos e freqüentemente se nega a atender as necessidades da ostentação.  Toda nossa vida social é resultado e conseqüência daquele autocrata e déspota chamado Egoísmo. Até a vontade mais forte se torna impotente diante da voz e da autoridade do Eu.


NOTAS:

[1] Em inglês, “sheep” não significa apenas carneiro ou ovelha, mas uma das principais acepções da palavra é “pessoa tola, estúpida”. Em português, este último significado aparece mais raramente.

[2] “Aqui” - isto é, na Inglaterra do século 19, onde o texto foi escrito.


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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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