24 de Janeiro de 2012

A ROSA DE PARACELSO



Conto Místico Mostra
Testes da Caminhada Espiritual

Jorge Luis Borges



 A rosa e a cruz, a bênção e o sofrimento,
são dois aspectos do aprendizado esotérico
                                                                                                                   

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Um mistério une as vidas e obras de
Paracelso e Helena Blavatsky.  As semelhanças
entre os dois são muitas. Com personalidades
fortes e impulsivas, ambos ensinaram verdades para
as quais o mundo não estava preparado,  e foram
chamados de charlatães. Pagaram de bom grado o
preço por romper a rotina da ignorância organizada.   

O conto a seguir aborda a coragem de dizer não ao jogo
das aparências, o que permite preservar a sinceridade
consigo mesmo. A narrativa de J. L. Borges - repleta de
simbolismos - também estabelece com clareza o antigo  
axioma da filosofia esotérica segundo o qual  “o discípulo
não impõe condições ao mestre: ele aceita, ou não, as
condições pedagógicas estabelecidas pelo instrutor”. Tendo
como pano de fundo a busca alquímica da Pedra Filosofal,
o conto examina a confiança, a intuição, a independência
e a ética necessárias para que um aprendiz possa obter
de fato a sabedoria. O sábio não tem a obrigação de usar
fogos de artifício para convencer o aluno de alguma coisa.    

Acrescentamos notas explicativas. [1]

(Carlos Cardoso Aveline)

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[De Quincey: Writings, XIII, 345]

Em sua oficina, que ocupava os dois aposentos do porão, Paracelso pediu a seu Deus, a seu indeterminado Deus, a qualquer Deus, que lhe enviasse um discípulo. A tarde caía.  O escasso fogo da lareira projetava sombras irregulares. Levantar-se para acender a lamparina de ferro era demasiado trabalho. Paracelso, distraído pelo cansaço, esqueceu sua súplica. A noite apagara os alambiques empoeirados e o atanor [2] quando alguém bateu à porta. O homem, sonolento, levantou-se, subiu a breve escada em caracol [3] e abriu uma das folhas. Entrou um desconhecido. Também estava muito cansado. Paracelso lhe indicou um banco; o outro se sentou e esperou.  Durante algum tempo  não trocaram palavra.

O mestre foi o primeiro a falar.

- Lembro-me de rostos do Ocidente e de rostos do Oriente - disse, não sem certa pompa. Não me lembro do teu. Quem és e o que queres de mim?

- Meu nome é o de menos - replicou o outro.  - Três dias e três noites caminhei para entrar em tua casa. Quero ser teu discípulo. Tudo o que possuo, trago para ti.

Puxou um taleigo e emborcou-o sobre a mesa. As moedas eram muitas e de ouro.  Fez isso com a mão direita. Paracelso lhe dera as costas para acender a lamparina.[4] Quando se virou, percebeu que a mão esquerda segurava uma rosa. A rosa o perturbou.[5]

Recostou-se, uniu as pontas dos dedos, e disse:

- Acreditas que sou capaz de elaborar a pedra que transforma todos os elementos em ouro e me ofereces ouro. Não é ouro o que me interessa, e se o ouro te interessa, nunca serás meu discípulo.

- O ouro não me interessa - respondeu o outro. Estas moedas não são mais que uma prova de meu desejo de trabalhar. Quero que me ensines a Arte. Quero percorrer a teu lado o caminho que conduz à Pedra.

Paracelso disse com vagar:

- O caminho é a Pedra. Se não compreendes estas palavras, ainda não começaste a compreender.  Cada passo que deres é a meta.

O outro fitou-o com receio. Disse com outra voz:

- Mas existe uma meta?

Paracelso riu.

- Meus detratores, que não são menos numerosos que tolos, dizem que não e me chamam de impostor.  Não lhes dou razão, mas não é impossível que seja uma ilusão. Sei que “existe” um Caminho.

Houve um silêncio, e o outro disse:

- Estou disposto a percorrê-lo contigo, mesmo que tenhamos de caminhar muitos anos. Deixa-me atravessar o deserto. Deixa-me divisar mesmo de longe a terra prometida, ainda que os astros não permitam que eu a pise. Quero uma prova antes de empreender o caminho.

- Quando?  - disse Paracelso inquieto.

- Agora mesmo - disse o discípulo com brusca determinação.

Haviam começado a conversa em latim; agora, falavam alemão.

O rapaz ergueu a rosa no ar.

- Corre - disse - que és capaz de queimar uma rosa e fazê-la ressurgir da cinza, por obra da tua arte. Deixa-me ser testemunha deste prodígio. É o que te peço, e depois te darei minha vida inteira.

- És muito crédulo - disse o mestre. Não tenho uso para a credulidade; exijo a fé.

O outro insistiu.

- Precisamente por não ser crédulo quero ver com meus olhos a aniquilação e a ressurreição da rosa.

Paracelso pegara a rosa e brincava com ela enquanto falava.

- És crédulo - disse. Dizes que sou capaz de destruí-la?

- Ninguém é incapaz de destruí-la - disse o discípulo.

- Estás enganado. Imaginas, porventura, que alguma coisa possa ser devolvida ao nada? Imaginas que o primeiro Adão no Paraíso poderia ter destruído uma única flor ou um talo de relva?

- Não estamos no Paraíso - disse o jovem, teimoso -; aqui, sob a lua [6], tudo é mortal.

Paracelso se erguera.

- Em que outro lugar estamos? Acreditas que a Divindade é capaz de criar um lugar que não seja o Paraíso? Acreditas que a Queda é outra coisa que não ignorar que estamos no Paraíso? [7]

- É possível queimar uma rosa - disse o discípulo, desafiador.

- Ainda há fogo na lareira - disse Paracelso. Se atirasses esta rosa às brasas, acreditarias que foi consumida e que a cinza é verdadeira. Digo-te que a rosa é eterna e que apenas sua aparência pode se transformar. Bastaria uma palavra minha para que voltasses a vê-la.

- Uma palavra? - disse o discípulo, estranhando. - O atanor está apagado e os alambiques estão cheios de pó. Que farias para que reaparecesse?

Paracelso olhou para ele com tristeza.

- O atanor está apagado - repetiu - e os alambiques estão cheios de pó. Neste ponto de minha longa jornada utilizo outros instrumentos.

- Não ouso perguntar quais são - disse o outro, com astúcia ou humildade.

- Falo do utilizado pela divindade para criar os céus e a terra e o invisível Paraíso em que estamos e que o pecado original nos oculta.  Falo da Palavra que ensina a ciência da Cabala.

O discípulo disse com frieza:

- Peço-te a mercê de mostrar-me o desaparecimento e o aparecimento de uma rosa. Para mim não faz diferença que utilizes alambiques ou o Verbo.

Paracelso refletiu.  Depois disse:

- Se eu o fizesse, dirias que se trata de uma aparência imposta pela magia de teus olhos. O prodígio não te daria a fé que procuras. Deixa, pois, a rosa.

O jovem o fitou, sempre receoso. O mestre ergueu a voz e lhe disse:

- Além disso, quem és tu para entrar na casa de um mestre e exigir dele um prodígio? Que fizeste para merecer semelhante dom?

- O outro replicou, trêmulo:

- Sei que nada fiz. Peço-te em nome dos muitos anos que passarei estudando à tua sombra que me deixes ver a cinza e depois a rosa. Não te pedirei mais nada. Acreditarei no testemunho dos meus olhos.

Num gesto brusco, empunhou a rosa que Paracelso deixara sobre a mesa e lançou-a às chamas.  A cor sumiu e restou somente um pouco de cinza. Durante um instante infinito esperou as palavras e o milagre.

Paracelso não se movera. Disse com curiosa singeleza:

- Todos os médicos e boticários da Basileia afirmam que sou um embuste. Talvez estejam certos. Aí está a cinza que foi a rosa e que não a será.

O rapaz sentiu vergonha. Paracelso era um charlatão ou um mero visionário, e ele, um intruso, transpusera sua porta e agora o obrigava a confessar que suas famosas artes mágicas não existiam.

Ajoelhou-se e lhe disse:

- Agi de forma imperdoável. Faltou-me a fé, que o Senhor exigia dos fieis. Deixa que eu continue vendo a cinza. Voltarei quando estiver mais preparado e serei teu discípulo, e no fim do caminho verei a rosa.

Falava com genuína paixão, mas essa paixão era a piedade que lhe inspirava aquele velho tão venerado, tão agredido, tão insigne e afinal tão oco. Quem era ele, Johannes Grisebach, para descobrir com mão sacrílega que por trás da máscara não havia ninguém?

Deixar-lhe as moedas de ouro seria uma esmola. Recolheu-as ao sair. Paracelso o acompanhou até o pé da escada e lhe disse que sempre seria bem-vindo naquela casa. Ambos sabiam que não tornariam a ver-se.

Paracelso ficou só. Antes de apagar a lamparina e de sentar-se na cansada poltrona, recolheu o tênue punhado de cinzas na mão côncava e disse uma palavra em voz baixa. A rosa ressurgiu.

NOTAS:

[1] O subtítulo - “Conto Místico Mostra Testes da Caminhada Espiritual” - foi acrescentado por nós. O texto é reproduzido do volume “Nove Ensaios Dantescos & A Memória de Shakespeare”, de Jorge Luis Borges, Companhia das Letras, SP, copyright 1995-2008 by Maria Kodama/Editora Schwarcz, 102 pp. A tradução, excelente, é de Heloisa Jahn.  Questionamentos sobre direitos autorais devem ser dirigidos aos editores de www.FilosofiaEsoterica.,com  através do e-mail  lutbr@terra.com.br.

[2] Atanor: forno usado pelos alquimistas.

[3] A escada em caracol é um símbolo maçônico e oculto. Indica a ligação entre céu e terra, ou mundo divino e mundo humano.  

[4] Há um simbolismo neste trecho. Ao acender a Luz, o mestre se volta na direção oposta ao dinheiro e ao que ele significa.

[5] A rosa e a cruz, a bênção e o sofrimento, são dois aspectos da caminhada espiritual. Nas primeiras páginas de “A Voz do Silêncio”, de H. P. Blavatsky, é feita esta advertência ao discípulo: “a tua alma encontrará as flores da vida, mas sob cada flor haverá uma serpente enroscada”. (A obra “A Voz do Silêncio” está disponível em www.FilosofiaEsoterica.com .)

[6] Sob a lua - em filosofia esotérica, o termo “sublunar” se aplica ao mundo físico e à dimensão mortal da vida. A Lua se relaciona com o eu inferior, a alma mortal. O Sol inspira o eu superior ou alma espiritual, e a Terra contribui com o corpo físico. Ao falar enfaticamente sobre as condições reinantes “aqui, sob a Lua”, o candidato a discípulo indica que permanece no mundo inferior e ainda não está apto para o discipulado. 

[7] Este curto parágrafo sugere duas idéias centrais em filosofia esotérica, expostas na obra “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky: 1) As divindades estão sujeitas à Lei Universal e devem trabalhar de acordo com ela; e 2) A “queda do Paraíso” - a perda da sabedoria primordial a que um dia a humanidade teve acesso - ocorreu no plano mental e é provisória. A seu devido tempo, a humanidade reconquistará o estado espiritual primordial.  

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Veja o texto “Borges, o Sábio Cego na Biblioteca”, de Carlos Cardoso Aveline, que pode ser encontrado pela Lista de Textos por Ordem Alfabética  de  www.FilosofiaEsoterica.com .

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br   e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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23 de Janeiro de 2012

REFLEXÕES DE UMA FILÓSOFA IMPOPULAR



O Significado Esotérico de
Certas Palavras e Ações na Vida Social


Helena P. Blavatsky


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Nota Editorial:

Helena P. Blavatsky tem textos
agudos e irônicos.  O mesmo estilo é
encontrado nas “Cartas dos Mahatmas”.
Esta irreverência quase Zen serve para cortar
ilusões e revelar os perigos  da hipocrisia
na busca espiritual. Ao longo dos tempos, os
ensinamentos espirituais têm sido envolvidos em
diversas formas de dogma,  transformados em
rotina,  em rituais vazios,  ou usados para fins de
poder pessoal e abuso da boa vontade alheia.

Os estudantes da filosofia esotérica devem
ser capazes de examinar-se regularmente - de
modo individual e também de modo coletivo - e
perguntar-se honesta e sinceramente: “Que
incoerências há em mim, ou em nós? Que
sementes de hipocrisia, e como eliminá-las?”

Esta capacidade de auto-observação
capacita o aprendiz a vencer os desafios da caminhada.

Traduzimos o texto a seguir do volume VIII de
“Collected Writings of H. P. Blavatsky”, T. P. H.,
Adyar, Índia (pp. 137-139). Título Original: “From
the Note Book of an Unpopular Philosopher”.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Mostrar Raiva.  Nenhum homem ou mulher “culto” jamais mostrará raiva em sociedade.  Controlar e reprimir toda mostra de desagrado é demonstração de boas maneiras, certamente, mas também uma considerável façanha em matéria de hipocrisia e dissimulação. Há um lado oculto nesta regra de boa educação, e ele é revelado em um provérbio oriental: “Não confie num rosto que nunca mostra sinais de raiva, nem num cachorro que nunca late”. O animais de sangue frio são os mais venenosos.

 Não Resistir ao Mal. Jactar-se disso é convidar todos os que são maldosos a abusar de você. Praticá-lo abertamente é levar as pessoas à tentação de vê-lo como um covarde. Não resistir ao mal que você nunca criou nem merece, evitá-lo você próprio e ajudar a outros a  afastar-se dele,  é a única alternativa correta à disposição de  quem ama a sabedoria.

“Amar o Próximo”. Quando um religioso faz uma pregação sobre este assunto, sua piedosa congregação a aceita – com uma permissão tácita para caluniar e denegrir  seus amigos e conhecidos  que estão sentados nos bancos da mesma  igreja.

Fraternidade Internacional. Quando um muçulmano e um cristão juram ter amizade recíproca e se comprometem a ser irmãos, as duas fórmulas deles diferem um pouco.   O muçulmano diz: “Tua mãe será minha mãe, meu pai teu pai, minha irmã tua criada, e tu serás meu irmão”.  Ao que o cristão responde: “Tua mãe e irmã serão minhas criadas, tua esposa será minha esposa, e minha esposa será tua querida irmã”. Amém.

Valente Como um Leão.   Este é – na aparência -- o maior elogio que se pode fazer à coragem de alguém; na realidade, é uma comparação com um animal selvagem que cheira mal. É também um reconhecimento da  superioridade da bravura do animal sobre a bravura humana, considerada como virtude.

Carneiro. [1] Um homem fraco, tolo, e simbolicamente um epíteto insultuoso, depreciativo, entre pessoas do mundo; mas um termo bastante elogioso entre religiosos, que o aplicam às “pessoas de Deus” e aos membros das suas congregações, comparando-os com carneiros sob a orientação do cordeiro.

Código de Honra. Na França - seduzir uma esposa e matar seu marido. Lá, a honra ofendida só pode ser recuperada com sangue; aqui [2], é suficiente um ferimento causado no bolso do transgressor.

O Duelo Como uma Questão de Honra. O duelo é uma instituição do cristianismo e da civilização, e nem os antigos espartanos, nem os gregos ou romanos o conheciam, já que eram apenas pagãos não-civilizados (Veja-se Schopenhauer).

Perdoar e Esquecer.  “Deveríamos perdoar livremente, mas raramente esquecer”, diz Colton. “Não buscarei vingança, e isto eu devo ao meu inimigo; mas lembrarei, e isto eu devo a mim mesmo”.  Esta é sabedoria real e prática. Ela fica entre o feroz lema “olho por olho”, da lei mosaica, e a ordem de oferecer a face esquerda ao seu inimigo, se ele golpear sua face direita. Esta última atitude não é um definido encorajamento ao pecado?

Sabedoria Prática. Na árvore do silêncio é que se colhe o fruto da paz. Se você não quer que seu inimigo conheça seu segredo, não o conte a seu amigo (ditado árabe).

Vida Civilizada. Repleta, barulhenta e cheia de força vital: assim é a sociedade moderna do ponto de vista material. Mas não há deserto mais imóvel e silencioso, vazio e lúgubre do que esta mesma sociedade para o olhar espiritual daquele que sabe ver. Sua mão direita distribui pródiga e livremente prazeres efêmeros, mas de alto custo, enquanto a mão esquerda  agarra avidamente os restos e freqüentemente se nega a atender as necessidades da ostentação.  Toda nossa vida social é resultado e conseqüência daquele autocrata e déspota chamado Egoísmo. Até a vontade mais forte se torna impotente diante da voz e da autoridade do Eu.


NOTAS:

[1] Em inglês, “sheep” não significa apenas carneiro ou ovelha, mas uma das principais acepções da palavra é “pessoa tola, estúpida”. Em português, este último significado aparece mais raramente.

[2] “Aqui” - isto é, na Inglaterra do século 19, onde o texto foi escrito.


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17 de Janeiro de 2012

O TEOSOFISTA - JANEIRO 2012


15 de Janeiro de 2012

UMA ORAÇÃO AO SOL


Meditando Sobre o Centro do Sistema Solar

Um Estudante de Teosofia



  A foto acima mostra a Porta do Sol, de Tiahuanaco, às
margens do Lago Titicaca. Ao alto, no centro, vê-se a figura da
divindade solar suprema, “a origem divina de todas as coisas”, Ticci
Virachoca [1]. Esse princípio cósmico abstrato está armado com dois
relâmpagos e usa o Sol físico como sua coroa. A parte superior da Porta do Sol
está coberta de inscrições antigas. Seu significado é objeto de estudo de especialistas.

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Nota Editorial:

Em astrologia e em filosofia esotérica, o Sol simboliza nosso senso de identidade, nosso verdadeiro eu, e nosso mestre. O amarelo, a cor do Sol, representa o ouro dos alquimistas e a perfeição da sabedoria no âmago da consciência humana.

Em anatomia oculta, o Sol corresponde ao coração, e é seu regente, em astrologia. Porém a cabeça humana também pode ser uma miniatura do Sol.  Um Mestre de Sabedoria escreveu:

“A cabeça de um homem, em uma condição de êxtase intenso, quando toda a eletricidade do seu sistema está centrada ao redor do cérebro, possui (…) uma semelhança perfeita com o Sol durante estes períodos.”[2]

( U. E. T. )

Uma Oração ao Sol
           
No alto da cordilheira,
Alguém está voltado para a luz  
Que transfigura o céu desde a linha do horizonte.

O vago vulto humano se curva e espera.
Ele faz uma saudação com as mãos unidas
E parece murmurar alguma coisa. 

O Sol que emerge para abrir o dia
É o Surya da antiga Índia, o deus egípcio Aton,
O Carro de Apolo grego, o Viracocha do povo andino.

Neste ponto da Cordilheira,
Predomina a paz da altitude elevada.
A Porta do Sol do lago Titicaca
Simboliza a luz da vida cósmica.
Cada ser humano é o desdobramento de uma fagulha 
Do espírito que movimenta a estrela.

Centro da música pitagórica das esferas, 
O Sol é fonte de humildade e plenitude. 
As coisas humanas giram ao seu redor
No passado como no futuro,
No tempo como no espaço.
Elas circulam em torno dele,
Assim na Terra como na parte mais próxima do céu. 

A vida começa a adormecer
No momento da sua ausência.
Cada nova presença sua
Ilumina e desperta uma parte do mundo.

A força do seu disco dourado
Devolve a vida a cada parcela do planeta. 

Sua luz acorda e faz dormir a todo instante
Uma parte do templo celeste, quase redondo,
Que vive há bilhões de anos em movimento.       

O funcionamento
Da roda da vida
Obedece à Lei.
O ritmo vital do Sol
Move o centro de cada átomo.
Ele anima a célula da folha verde
E bate no coração do indivíduo de boa vontade. 

Seu disco dourado é um espelho 
Do eu superior de cada um.   
Todo cidadão honesto pode ver 
O nascimento do novo dia
E murmurar, como murmura agora,
O vulto sem nome
De um ser humano na cordilheira:

Om,              
Permanecerei em tua paz. 
Lembrarei, a cada hora,
Da tua luz universal.
Obedecerei à Lei do Equilíbrio.
Ajudarei como puder
Os Seres que preservam a Sabedoria.                   
Om,  shanti.

(Um Estudante de Teosofia)

NOTAS:

[1] “Inca Religion & Customs”, Father Bernabe Cobo, University of Texas Press, 1990, 279 pp., ver pp. 22-23.  Veja também a obra “La Puerta del Sol - Cosmología e Simbolismo Andino”, de Jorge Miranda-Luizaga, Editorial Garza Azul, La Paz, Bolivia, 1991, 325 pp.

[2] “Cartas dos Mahatmas a A. P. Sinnett”, Ed. Teosófica, Brasília, 2001, dois volumes, Carta 93-B, volume II, p. 128.


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O poema filosófico “Uma Oração ao Sol”, de  Um Estudante de Teosofia, é aqui reproduzido da edição de dezembro de 2011 do boletim eletrônico “O Teosofista”, editado pelo website www.FilosofiaEsoterica.com .

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O PODER DE SUGESTÃO


Despertar do Discernimento Rompe a
Dominação Hipnótica da Mente Desatenta  


Robert Crosbie


Nota Editorial:

O texto a seguir foi publicado pela primeira vez na revista “Theosophy”, de Los Angeles, na sua edição de julho de 1922, pp. 252-262. [1] 

O processo de sugestão, individual ou coletiva, possui especial importância na primeira parte do século 21.  As mentes de centenas de milhões de pessoas são hoje influenciadas pelo uso de técnicas subliminares de propaganda cujas mensagens centrais visam a escapar de todo exame racional e vão dirigidas principalmente ao subconsciente e ao inconsciente do cidadão. 

Conglomerados políticos, financeiros e econômicos têm o poder de moldar, dentro de certos limites, o comportamento de populações. Transmitem e registram nas mentes das pessoas sugestões que as levam, semi-hipnoticamente, a este ou aquele tipo de decisão pessoal, em obediência aos interesses de curto prazo de investidores de dinheiro movidos por ganância. George Orwell antecipou esta situação - levando-a a extremos pessimistas - em seu famoso livro “1984”.

O pessimismo não vê que nenhum mecanismo de manipulação mental é capaz de sustentar-se, porque seu alicerce é falso. Só a verdade permanece. Bastará o despertar de um determinado número de cidadãos para provocar um “efeito dominó” cujo resultado é o final do processo de manipulação das mentes e das emoções.

A Internet, embora em grande parte dominada pelas mesmas ilusões, oferece oportunidades para a produção e distribuição de real conhecimento, e de informação honesta. Livre de fronteiras, o mundo online abre espaço para a ajuda mútua e a cidadania mundial.  São inúmeras as experiências em escala global nesta área inovadora, e a Wikipedia é apenas um exemplo. Ações solidárias e criativas aceleram a transferência gradual de poder desde as grandes burocracias - religiosas, científicas, comerciais e financeiras -, para o cidadão livre dotado de consciência e criatividade. O auto-respeito, o autoconhecimento e a auto-responsabilidade são os antídotos mais eficazes contra o veneno das sugestões hipnóticas.   

Helena Blavatsky previu um renascimento espiritual e uma vitória indiscutível da ética, durante o século 21. O despertar já começou, mas a nova primavera surge sem pressa. Ela é sobretudo uma transformação de consciências. O tempo necessário para que esta revolução se torne externamente visível pode ser maior ou menor. O aspecto cronológico externo não é importante. Vale o tempo interno. O despertar está surgindo de dentro para fora no plano da alma, e, assim como o nascer do sol, não pode ser atrasado ou adiantado através de ações artificiais. O texto de Robert Crosbie mostra com clareza o mecanismo da ignorância do qual é possível despertar. 

(C. C. A.)

O Poder de Sugestão

Robert Crosbie

O poder de sugestão significa muitas coisas diferentes para diferentes pessoas. Está ligado à ideia de hipnose, um processo em que o operador é capaz de fazer um sujeito passivo pensar, dizer, fazer ou imaginar qualquer coisa que ele quiser. Isso é possível através da existência de certas condições anormais na consciência do sujeito passivo. Os meios e métodos pelos quais se induz a estas condições anormais não são conhecidos amplamente, embora alguns praticantes tenham desenvolvido várias maneiras de produzir processos hipnóticos.

Mas o que deve ser discutido é o fato da sugestão em si mesmo, em termos gerais, e também o modo como ele afeta os seres humanos. As pessoas não percebem que vivem quase inteiramente sob o efeito de sugestão. Desde o nosso nascimento somos rodeados por aqueles que sugerem certas ideias como verdadeiras, e seguimos as ideias sugeridas. Há em qualquer lugar muito pouco pensamento original, e isso é especialmente verdadeiro naqueles níveis que mais atraem a atenção do grande público, isto é, na política, na religião, e na ciência. Seja qual for o sistema de pensamento que nos é apresentado, nós o adotamos. Seguimos a sugestão dada, sem fazer uma tentativa de compreender a base daquilo que é sugerido. Os alicerces sobre os quais repousa a sugestão feita são aceitos automaticamente, mesmo nas coisas mais importantes da vida. 

Nossa religião, por exemplo, é apresentada como uma “revelação”. Nós a aceitamos na infância, e a aceitamos como um fato, sem examiná-la para ver o que é e em que se baseia. Nossos poderes de pensar e agir têm como origem uma sugestão inverdadeira. Isso não nos impede de pensar e agir, mas, como resultado deste início falso, todas as possibilidades de pensamento e ação, todas nossas criações mentais, toda a superestrutura da nossa existência, são falsas, porque, como pensamos sobre falsas premissas, nosso pensamento nos leva inevitavelmente a conclusões falsas.

Ocorre essencialmente o mesmo fato no caso do sujeito hipnotizado. Ele é lançado a uma condição anormal; ele não tem nada diante de sua mente; o hipnotizador apresenta uma determinada ideia e com ela a sugestão de certo tipo de ação. Imediatamente o hipnotizado adota a sugestão, passa a trabalhar a partir dela, e continuará a fazer isso até que a sugestão seja mudada.

Aqueles que nascem dentro de qualquer seita ou religião determinada deveriam saber disso. Com o nosso primeiro sentido de compreensão, ideias são apresentadas a nós e transmitidas às nossas mentes como fatos absolutos. Agimos a partir desta base, e por mais que sigamos longo tempo essas mesmas linhas, nenhuma conclusão ou compreensão verdadeira pode ser alcançada.  O que sabemos do caráter verdadeiro ou falso das ideias apresentadas a nós na infância? Nada. O que sabem sobre elas os nossos pais e professores? Coisa alguma. Eles simplesmente passam para nós as sugestões que receberam na sua própria infância e que desde então operaram neles acumulativamente.

Devemos aprender a não aceitar afirmações, sejam elas feitas por quem forem, apenas porque são feitas para nós.  Devemos examinar as bases de tudo o que nos é apresentado, e saber quais são os seus princípios, e se estes princípios são auto-evidentes.  Se eles não forem auto-evidentes, como poderão ser básicos?

É comum a todos no mundo ocidental a ideia de que há um Criador deste universo. O que é que nós sabemos sobre isso? Se é verdade que um ser criou o universo e todos os seres que há nele, então nós não somos responsáveis. Como decorrência desta ideia, surgem outras: a ideia de que o ser humano só vive uma vez, de que esta é sua única encarnação, e de que não se pode saber para onde ele vai depois daqui. Seguimos a sugestão de que o ser humano vive uma só vida, de que ele é fundamentalmente irresponsável pelo fato de estar aqui, e construímos nossos pensamentos e nossas ações a partir desta base.  Será que desta forma somos mais sábios, mais felizes, à medida que vivemos? Será que isso produz paz e felicidade para os outros? Isso faz com que cheguemos ao final da vida mais sábios e numa situação mais favorável? Sabemos que quando chegamos ao fim da vida devemos abandonar todas as coisas terrestres que tenhamos obtido enquanto estivemos aqui.

Mas esta Terra é apenas uma entre muitas Terras. O que dizer dos outros planetas, e dos outros sistemas solares presentes no espaço sideral? Temos algum conhecimento real em relação a eles ou à razão para que eles existam, com base na sugestão que nos foi passada?

Quando as nossas impressões religiosas são mudadas, quando outras sugestões nos são dadas, será que elas não nos são passadas do mesmo modo?  Sejam quais forem - “ciência mental”, “novo pensamento”, “ciência cristã” e assim por diante - nós as adotamos, avançamos de acordo com as linhas de ação sugeridas, e então, o que é que nós realmente aprendemos? Nada. Chegamos ao final da vida igualmente presos à ignorância, apesar de todas as “revelações” que nos foram dadas.  O que é que sabemos das bases destas revelações? Elas são verdadeiras, ou só parcialmente verdadeiras?  Nunca alguém nos pede para examinarmos os pontos fundamentais e ver por nós mesmos se eles são verdadeiros e auto-evidentes. Não.  É solicitado de nós que aceitemos o que nos é dado e que trabalhemos a partir disso. Isso é sugestão.

A nossa vida municipal, nossa vida nacional e nossa vida política estão todas sob sugestão, e poucos são aqueles que tentam ir até a raiz das coisas e compreender qual é a natureza do ser, de modo a saber por si mesmos e assim agir com poder e conhecimento. Se olharmos ao nosso redor, veremos que todos sofremos a influência da sugestão em muitos aspectos.

Qual é o critério pelo qual podemos avaliar cada uma das sugestões apresentadas a nós? O critério é o seguinte: o que é verdadeiro explica o que antes era um mistério.  E como estamos rodeados de mistérios, a Verdade deve explicar todos eles.

Este poder de sugestão ainda deve ser usado, seja qual for a linha assinalada para nós. Se a Verdade existe e podemos alcançá-la - a Verdade na religião, na ciência e na filosofia - ela deve vir primeiro até nós como sugestão desde Aqueles que sabem. Se isso não fosse possível, se não pudéssemos chegar à Verdade, então seria inútil falar sobre estas coisas. Mas quando o que é verdadeiro é sugerido a nós, há sempre um meio ao nosso alcance pelo qual podemos verificar o que é verdadeiro.  Este meio não depende da autoridade ou da garantia de ninguém, mas consiste do fato de que podemos perceber a verdade e testá-la por nós mesmos. A autoridade final é o próprio ser humano. 

Um Deus externo é um ídolo. Devemos chegar até o mais íntimo do nosso próprio ser e compreender que é o nosso ser que escolhe e decide por si mesmo o que aceitaremos e o que rejeitaremos. O poder próprio da Divindade - o poder da escolha - está em cada um de nós. Quando começamos a compreender isso, alcançamos o primeiro indício da nossa própria imortalidade. Assim podemos ver que Aquilo que vive e pensa no homem é o Peregrino Eterno. Se você preferir usar o termo Deus, você pode dizer: “Há tantos Deuses no céu quantos seres humanos na terra.”

Há muitos seres abaixo do homem; talvez alguns admitam que pode haver, ou que há, seres maiores que o homem. Nenhum destes seres pode ser onipresente, nenhum deles pode ser Supremo. O que é aquilo que é onipresente e supremo em cada ser e todos os seres - no homem, nos seres abaixo do homem, e nos seres acima do homem? Será que não é este Poder de perceber, de pensar, de escolher, de agir a partir do pensamento e da escolha, a partir da Inteligência que o ser possui?  Este Poder transcende todos os seres, e todas as concepções. É este Poder que está na raiz da evolução e constitui a própria Essência de cada ser. Ninguém está separado dele. Ninguém está destituído dele. Todos são raios dele e estão em unidade com ele. Não há possibilidade de qualquer existência separada dele.

O ser humano existe no meio de uma vasta evolução silenciosa, a evolução da Inteligência, da Alma. Todos os seres abaixo do homem devem subir a escada da existência até o nosso estágio, e quaisquer seres que existam acima do homem devem ter passado até além do nosso estágio, indo até mais alto na escada. Eles são nossos Irmãos Mais Velhos e viveram em civilizações anteriores às nossas - muitas eras antes da nossa e alcançaram um ponto de desenvolvimento muito acima do nosso.

Estes Irmãos Mais Velhos da família humana não são espíritos no sentido comum da palavra, nem são seres nebulosos, “deuses” ou “anjos”.  Eles são homens, Mahatmas (“Grandes Almas”). São seres aperfeiçoados fisicamente, mentalmente, moralmente, psiquicamente e espiritualmente, que estão hoje onde nós um dia estaremos, quando nos tivermos aperfeiçoado do mesmo modo como eles, através de esforços planejados e desenvolvidos por nós mesmos.

Com Seu conhecimento e poder, com Sua capacidade de ajudar-nos e guiar-nos e com Seus esforços para fazê-lo, estes Mestres são para nós a maior e mais poderosa sugestão que poderia ser feita para qualquer ser humano. Eles estão dispostos a ajudar em qualquer tempo e lugar em que nós estivermos dispostos a receber a ajuda.  Eles nunca pedem por coisa alguma; Eles estão sempre prontos para auxiliar aqueles que estejam dispostos a seguir as linhas indicadas, de modo que nós também, da nossa parte, possamos ser no futuro como Eles são - e possamos saber por nós mesmos.

Se aceitamos a filosofia dos Mestres tal como ela nos é dada em Teosofia, se a encararmos como uma teoria cujos méritos devem ser examinados, nós veremos que ela explica. Ela explica por que há tantos tipos diferentes de pessoas; ela explica as suas diferentes naturezas; ela explica por que alguns sofrem mais e outros sofrem menos. Ela explica por que um nasce em um lugar determinado, naquela família, naquele povo, naquela época. Ela explica cada uma das desigualdades que há na vida, cada injustiça, cada mistério. Ela capacita o ser humano para compreender a sua própria imortalidade para ter uma existência consciente no Espírito, mesmo enquanto está encarnado em um corpo aqui na Terra.  Atualmente nós vivemos na matéria; pensamos que existimos na matéria e que dependemos da matéria para existir. Pensamos materialmente. Nossa religião é materialista, nossa ciência é materialista, e nossa filosofia é materialista. Tudo isso se deve ao mau uso do poder da sugestão e à nossa aceitação de ideias sem investigá-las, sem compará-las, e com base apenas nesta ou naquela autoridade. Nós acreditamos, mas não sabemos.

Não pode haver quaisquer Divindades, a menos que elas tenham surgido do Espírito Uno.   Cada ser Divino é uma evolução. Onde quer que se fale de divindade, o tema é a evolução de um ser. Toda inteligência tem como base o poder de perceber, e este poder existe em cada graduação da escala da existência. A inteligência é o poder de conhecer. Esta ideia põe de lado grande número de sugestões das quais talvez nós tenhamos dependido. Seria correto não dependermos de nada exceto do nosso próprio poder inerente de aprender e de libertar-nos das nossas dificuldades. Todos os nossos poderes nasceram conosco; todas as nossas experiências passadas estão conosco, mas elas são afastadas de nós por um grande número de sugestões dadas a nós quando éramos crianças, e pelas falsas ideias que nós ainda alimentamos. Nada exceto a Verdade nos poderá jamais libertar, e cada um de nós pode descobrir e seguir a Verdade, e assim chegar a conhecer por si próprio.

NOTA:

[1] Trata-se do registro estenográfico de uma palestra de Robert Crosbie.  “O Poder da Sugestão” (“The Power of Suggestion”) foi mais tarde incluído no volume “The Friendly Philosopher”, Robert Crosbie, Theosophy Co., Los Angeles, 416 pp., 1934-1946-2008, ver pp. 320-325.


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O artigo “O Poder de Sugestão”, de Robert Crosbie, é aqui reproduzido da edição de dezembro de 2011 do boletim eletrônico “O Teosofista”, editado pelo website www.FilosofiaEsoterica.com .

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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